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Suplemento Meio Ambiente- Valor Econômico

Data de publicação: 05/06/2013

Por Regiane de Oliveira | Para o Valor, de São Paulo

Uma pequena distribuidora de produtos e equipamentos para sorveterias de Piracicaba, interior de São Paulo, surpreendeu a gigante Agropalma. Preocupados com a origem de seus produtos, a Polar Distribuidora fez questão de visitar a fábrica da produtora de óleo de palma, em Tailândia, a 220 km de Belém. Para quem está acostumado a vender para grandes corporações como Unilever, Ferrero, Nestlé, Natura - cujos auditores conferem se todos os processos estão em linha com suas exigências socioambientais -, receber a mesma demanda de uma empresa pequena é uma vitória.

"Isso significa que o mercado não está mais mudando para absorver as questões ambientais. Ele já mudou. A Polar é uma empresa familiar, mas que tem como valor demonstrar aos seus clientes a preocupação com a qualidade e origem de seus produtos", conta Tulio Dias, gerente de responsabilidade socioambiental da Agropalma.

A própria Agropalma está tendo de se movimentar para acompanhar as mudanças. A empresa está construindo em Limeira (SP) sua primeira refinaria sustentável capaz de atender a alta demanda de óleo de palma certificado. A diferença não está nos processos de construção. "Essa refinaria vai processar só óleo de fazenda certificada", afirma Dias. Para isso, a Agropalma está ajudando na preparação e certificação de 232 fazendas parceiras, que representam por 15% da matéria-prima, o cacho da palma, utilizado pela companhia.

Segundo Marcos Vaz, diretor geral da ONE Sustentabilidade, está cada vez mais claro para as empresas que atuar com sustentabilidade dá melhor resultado econômico. "Em mercados emergentes, a pressão por resultados é o que guia os negócios. E usar uma agenda de sustentabilidade para promover inovação é uma saída para crescer", afirma.

O gancho da biodiversidade é um exemplo. As empresas vêm utilizando milhões de anos de experiência da natureza para criar produtos sustentáveis. "As 'biocoisas' são tendência de várias indústrias, como farmacêutica e cosméticos, que crescem buscando uma ligação entre o mundo natural e a economia. O biomimetismo, ciência que visa copiar as soluções já existentes na natureza, já é realidade", explica Vaz. "E a preservação da biodiversidade é uma consequência, afinal, não se mata a galinha dos ovos de ouro".

A Natura é uma das pioneiras em atuar com a sociobiodiversidade. "Mas nem sempre acertamos", admite Denise Alves, diretora de sustentabilidade da companhia. "Foi em uma jornada de erro e aprendizagem que desenvolvemos nosso modelo de negócios, que tem como base o relacionamento com comunidades extrativistas e proteção da florestas".

A empresa atua com 3,5 mil famílias em várias comunidades no Brasil e Equador, que produzem 25 espécie nativas da Amazônia. Essa jornada de aprendizado começou em 2000, com o lançamento da linha Ekos. "A marca Ekos acabou contaminando toda a cultura da empresa para trabalhar com biodiversidade", diz.

Por exemplo, Natura vai lançar no próximo semestre um relatório com os resultados do Projeto Dendê, iniciado em 2006. Desenvolvido em parceria com a Embrapa, Finep e a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), o projeto tem como foco estudar diferentes arranjos florestais para a produção de óleo de dendê (o óleo de palma) num sistema agroflorestal. "Conseguimos obter importantes resultados na plantação de palma juntamente a outras culturas, como cacau, açaí, pimenta e mandioca", diz Alves. O objetivo é criar um plano de negócios para ampliar o fornecimento de palma em arranjos florestais.

Uma nova forma de garantir a preservação da biodiversidade, promete tirar o sono das empresas: a cobrança pelo serviço ambiental. Não se trata de uma cobrança direta pelo uso da água ou do ar, mas sim pelos custos externalizados. "Uma indústria de alimentos que fabrica produtos com muito sódio e gordura tem maior risco de afetar a saúde da população. Logo a cobrança será pelos custos externalizados de hipertensão, que afetam as politicas de saúde pública do governo", afirma Vaz. Pode parecer ficção, mas já existem países, como a Dinamarca, onde isso é realidade. "As empresas de alimentos pagam impostos pelo percentual de gordura de seus produtos na Dinamarca".

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