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Notícia

Como o Luxo pode salvar o planeta

Data de publicação: 26/02/2015

Baseado em um artigo de Soren Petersen e Dr. Gjoko Muratovski publicado no The Guardian em 13/11/2014

As pessoas se preocupam com elas mesmas, seus filhos, seus animais e, em seguida, com o meio ambiente - nessa ordem. Culpa, vergonha, até mesmo as profecias do fim do mundo têm pouco ou nenhum efeito sobre a forma como as pessoas lidam com seu consumo diário. Educação ajuda, mas mesmo quando se sabe a coisa certa a fazer, é quase impossível mudar o próprio comportamento, e muito menos o comportamento de outra pessoa.

Reduzir, reutilizar, reciclar e o descarte responsável tem sido o mantra para salvar o planeta por décadas. No entanto, outra opção viável poderia ser aumentar as despesas com nossas aspirações, canalizando o nosso poder de compra para onde poderíamos fazer o menor dano - através da compra de bens de luxo sustentável.

Aqui vai uma pegadinha: Qual iPhone tem o pior impacto ambiental quando produzido? Um iPhone 6, que emite 95 kg CO2; ou um iPhone 6 Plus, que emite 110 kg CO2, ou seja, 15% mais do que o anterior?

A resposta correta é o iPhone 6 Plus com 110 kg de CO2. Por outro lado, considerando o dano ambiental causado por dólar gasto, o iPhone 6 Plus suga vinte por cento mais capital por unidade de CO2. Quando o iPhone 6 Plus drena trezentos dólares a mais do seu poder de compra, ele o impede de causar dano ambiental com o seu dinheiro em outro lugar. Basta imaginar o quanto um vestido Chanel de US$ 50,000, uma Ferrari de US$ 1,5 milhão ou um quadro de Monet de US$100 milhões reduziria a sua capacidade de ferir a Mãe Terra.

Apesar das pessoas serem, em princípio, simpáticas à ideia de sustentabilidade, suas decisões são muitas vezes ofuscadas por atributos percebidos como "negativos". Muitas pessoas veem a sustentabilidade como sendo cara, desnecessária ou complicadora de sua vida quotidiana.

O mesmo pode ser dito sobre as marcas de luxo, mas comprá-los é considerado um privilégio e não um estorvo. Ora, produtos sustentáveis também compartilham as mesmas qualidades "essenciais" de bens de luxo: Eles dependem de criatividade e design extraordinários, precisam ser feitos a partir de materiais excepcionais, com boa qualidade e são raros e caros. Parece que os dois conceitos não são tão distantes um do outro.

No início, as marcas de luxo eram em sua maioria empresas familiares operadas por artesãos de alta qualidade, altamente especializados, que obtiveram reputação global. Seus produtos têm sido sempre sustentáveis, mas não têm sido promovidas como tal - isto é, até recentemente.

Cada vez mais, as principais marcas de luxo estão caminhando nesse sentido e estão introduzindo a ideia de "luxo sustentável" como uma parte integrante da sua imagem de marca. 

 A vantagem em ter as marcas de luxo promovendo um comportamento sustentável é que elas têm a capacidade de torna-lo mainstream. O luxo sustentável ajuda as pessoas cumprirem seus desejos individuais através da oferta de melhores opções de consumo. Fazer o comportamento sustentável ser visto como uma declaração aspiracional é uma maneira muito mais eficaz de introduzir mudanças sociais, do que simplesmente fazer as pessoas sentirem-se culpadas por consumir. 

Mesmo que o conceito de luxo sustentável continue sendo um privilégio dos ricos, certamente podemos esperar que o conceito de consumo sustentável, como uma forma de luxo acessível, atinja também os usuários menos abastados. Afinal, muitas das coisas que hoje são corriqueiras, já foram no passado consideradas luxo.  

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